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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ativista mode: ON

Tem tempo que eu não escrevo aqui. Mas está acontecendo algo que vale a pena fazer o blog renascer das cinzas e ferver em todo seu esplendor ativista.

Quando eu escrevia aqui com frequência eu era uma mulher em busca de uma experiência de parto transformadora e linda. Eu não tive o parto que sonhei, mas a experiência definitivamente foi transformadora. eu busquei, me informei, eu vislumbrei. E eu mudei. Não só no âmbito mãe/mulher, mas como cidadã.

Aqui quem vos fala não é mais apenas uma mulher que se transformou em mãe. É uma ativista. Posso me considerar assim, porque o meu sangue ferve quando o assunto é respeito à mulher na hora do parto. Meu filho já tem 2 anos e eu estou nesse meio desde antes de engravidar. Já vi médicos surgindo pra bancar a humanização, parteiras começando a trabalhar, doulas se formando, grupos e blogs se multiplicando, médicos em fim de carreira, grávidas que vêm cheias de dúvidas e se vão mães cheias de poder, outras que, como eu, ficam e lutam para que mais e mais mulheres completem esse ciclo, já vi bebês nascendo, começando a andar, a falar, vi uma, duas barrigas de mesmas mães... Não tenho filiações, não sou doula, nem educadora perinatal, nem parteira, tampouco médica... Mas eu luto. Luto porque acredito. Acredito que TODAS as mulheres têm o direito de viver essa experiência transformadora, da qual hoje é tão difícil sair ilesa por conta da cultura insalubre e do sistema capitalista que suga todas para a indústria do nascimento com tamanha voracidade.

A todas, tenho apenas um conselho: VALE A PENA NADAR CONTRA A MARÉ.


A MARCHA:

Recentemente fomos testemunhas de uma onda de perseguição à estes profissionais e instituições Brasil a fora.:

- Primeiro, o coordenador da Santa Casa de Sorocaba/SP, Bráulio Zorzella vinha sofrendo represálias por estar conseguindo, através do estímulo de condutas baseadas em evidencias científicas, diminuir a taxa de cesarianas em sua instituição (assinem a petição online em apoio à ele:  http://www.peticaopublica.com.br/?pi=07102013) ;

-Depois, por adotar as mesmas condutas, a obstetra paulista Andrea Campos foi descredenciada da Maternidade São Luis, onde realizava um trabalho respeitoso no que toca o protagonismo feminino. Junto com isso, a maternidade também proibiu doulas de entrarem no centro obstétrico;

-Da mesma forma, em Curitiba, a enfermeira obstétrica Adelita Gonzalez foi afastada de sua função na Maternidade Victor Ferreira do Amaral por seguir uma consuta humanizada, contrária às práticas do hospital. Para dar seu apoio à Adelita, assine: http://www.change.org/pt-BR/peti%C3%A7%C3%B5es/carta-de-rep%C3%BAdio-pelo-afastamento-da-enfermeira-obstetra-adelita-gonzalez

-No Rio de Janeiro, a Maternidade Maria Amélia Buarque de Holanda, única maternidade pública na cidade a adotar práticas baseadas em evidências científicas e manter impressionantes 18% de taxas de cesarianas, a mais próxima do preconizado pela OMS, está sendo bombardeada pela mídia sensacionalista, que vem alardeando sobre mortes de bebês na Instituição alegando que as mortes ocorreram porque a Instituição "força o parto normal". Quem consome tais notícias, provavelmente nunca vai saber que essas 4 mortes aconteceram ao longo de todo esse ano, e que mais de 3.000 bebês nasceram somente no primeiro semestre, que uma das mortes á sabido que a mãe chegou à maternidade transferida de outra instituição com o feto já em óbito para uma indução e que nenhuma instituição tem taxas zero de morbidade materno-fetal. Inclusive, estudos comprovam que cesáreas eletivas aumentam a incidência de morte fetal em 2,5 vezes. Mas isso não interessa para quem se beneficia com a cultura cesarista.

E é por isso que amanhã, dia 19 DE OUTUBRO DE 2013, o coletivo MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO se ergue novamente em um Ato. Desta vez, em apoio à profissionais e instituições que baseiam suas práticas em evidências científicas e recomendações do Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde.

imagem por Thalita Dol Essinger

Meu coração nesse momento não cabe no peito. O movimento, que teve início ano passado para protestar contra resoluções do CREMERJ (e que foram derrubadas!), se fortaleceu de tal forma que hoje somos 34 (TRINTA E QUATRO!!!) cidades participando. Mais e mais mulheres hoje entendem que tomar as rédeas do seu corpo e parto pode transformar o mundo. Sabemos que as represálias são fortes porque estamos fazendo barulho. Estamos deflagrando um sistema cruel e as mulheres estão cada vez menos caladas e conformadas.

Junte-se à nós amanhã! Abaixo, a lista de cidades com seus eventos do facebook:

Bertioga - (A CONFIRMAR)
Lajeado - (A CONFIRMAR)
Poços de Caldas - (A CONFIRMAR)
Vitória - https://www.facebook.com/events/193254990859547/


Se você não sabe o que humanização ou violência obstétrica e desconhece a cultura de nascimento no Brasil, abaixo estão algumas informações valiosíssimas:







Até amanhã!!!!!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Carta Oficial de Convocação à MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO


"Prezados(as),

Como mulher, cidadã, mãe e gestante, a favor da Humanização da assistência ao parto no Brasil, me sinto indignada com as resoluções do Cremerj publicadas no dia 19 de julho de 2012: a resolução de nº 265/12, que visa punir os médicos cariocas que prestarem assistência a partos domiciliares assim como aqueles que fizerem parte de equipes de retaguarda caso a mulher que opte por um parto domiciliar necessite de remoção a um hospital; e a resolução nº 266/12 que proíbe a participação de “doulas, obstetrizes, parteiras etc” (conforme o texto original) em partos hospitalares.

As resoluções supracitadas, além de ferir o nosso direito de escolha sobre quem nos acompanhará e o local de nascimento de nossos filhos, são opostas ao que recomenda a OMS, o Ministério da Saúde e as mais atualizadas evidências científicas. Assim, estamos organizando uma manifestação em repúdio a essas resoluções, a favor da Humanização do Parto e Nascimento e pela soberania da mulher sobre seus direitos sexuais e reprodutivos.

Convido aos cidadãos e cidadãs e instituições a participarem e apoiarem a MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO.

A MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO acontecerá no dia 05/08/2012, com concentração às 14 horas na Praia de Ipanema, altura do posto 9.

Mulheres, homens de outros estados sintam-se à vontade para juntarem-se à nós, organizando mobilizações locais, nos moldes da Marcha do Parto em Casa! Esse é o nosso momento, nossa voz está sendo ouvida! Vamos cultivar as Sementes da Humanização por todo o Brasil!

As bandeiras da MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO são:

Que a Mulher tenha o direito de escolher como, com quem e onde parir;Pelo cumprimento da Lei 11.108 de abril de 2005. Que a mulher tenha preservado o direito ao acompanhante que ela desejar na sala de Parto;Que a mulher possa ter o direito de acompanhamento de uma Doula em seu trabalho de parto e parto;Que a mulher, sendo gestante de baixo risco, tenha o direito de optar por um parto domiciliar planejado e seguro, com equipe médica em retaguarda caso necessite ou deseje assistência hospitalar durante o Trabalho de Parto;Que a mulher tenha o direito de se movimentar livremente para encontrar as posições mais apropriadas e confortáveis durante seu trabalho de parto e parto;Que a mulher possa ter acesso a métodos naturais de alívio de dor durante o trabalho de parto, que consistem em: massagens, banho quente, compressa, etc;Contra a Violência Obstétrica e intervenções desnecessárias que consistem em: comentários agressivos, direcionamento de puxos, exames de toque, episiotomia, litotomia, etc;Pela fiscalização das altas taxas de cesáreas nas maternidades brasileiras e que as ações cabíveis sejam tomadas no sentido de reduzir essas taxas;Pela Humanização da Assistência aos Recém-Nascidos, contra as intervenções de rotina;Que a mulher que optar pelo parto domiciliar tenha direito ao acompanhamento pediátrico caso deseje ou seja necessário.

Todas as nossas bandeiras são respaldadas por evidências científicas e recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Federação Internacional de Ginecologia e Obstetricia (FIGO), Ministério da Saúde entre outras.

Chegou a hora de darmos um basta à mercantilização do parto e nascimento, não somos rebanho, não somos mercadoria, somos Humanos e temos o direito de receber nossos filhos cercados de amor, paz e, primordialmente, RESPEITO!

Contamos com seu apoio, divulgação e presença!

Maria Antonieta Oliveira

MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO

Organizadoras:
Maria Antonieta Oliveira: (21) 8416-2787/ antonieta.oliv@gmail.com
Ana Kacurin: (21) 8817-3993/ anapaulakacurin@gmail.com

Assessoria de Imprensa:
Ellen Paes (21) 8724-3139

Apoiadoras na promoção e organização:
Paula Ceci Villaça: (21)8603-1925 / paulaceci78@yahoo.com.br
Renata Souto Deprá: (21) 81351139 e 22326569/ renata@espacomamifera.com.br
Roberta Calábria / (22) 9705-8813 (vivo) / contato@eccomama.com.br
Ana Cordeiro
Rebeca Bricio
Thalita Dol Essinger: (21) 94917104 / thalitadol@gmail.com

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mitos do parto em casa por Ana Cristina Duarte

Mitos do Parto em Casa I: a parteira chega a cavalo ou de bicicleta, e a tiracolo uma bolsa com 3 panos lavados e um livro de rezas.
Verdade: o material que vai no carro do profissional inclui oxigênio, máscara, ambu, material de sutura, anestésico local, instrumentos esterilizados, drogas para contenção hemorragia, luvas estéreis e outros 20 itens.

Mitos do Parto em Casa II: a parteira é uma senhora boa e rezadeira de 70 anos, que aprendeu o ofício com sua mãe.
Verdade: o profissional que atende parto domiciliar é médico, ou enfermeira obstetra, ou obstetriz, formados em cursos superiores e com experiência em atendimento de partos normais, com e sem complicações.

Mitos do Parto em Casa III: A idéia é nascer em casa custe o que custar, então se complicar, complicou, paciência.
Verdade: o parto começa em casa, mas acaba onde tiver que acabar. Se houver algum sinal de que talvez o parto possa vir a complicar, já é feita a remoção para o hospital.

Mitos do Parto em Casa IV: nos países da Europa onde existe o parto em casa, há uma ambulância na porta de cada mulher que está em trabalho de parto.
Verdade: PUTZ!!! Essa é a maior de todas as mentironas do século XXI! Não existe ambulância na porta em nenhum lugar do mundo!

Mitos do Parto em Casa V: Qualquer mulher pode conseguir um parto em casa.
Verdade: Mulheres que desenvolveram complicações não poderão ter um parto em casa, porque os riscos são aumentados.

Mitos do Parto em Casa VI: Se o bebê precisar de alguma coisa, ele vai morrer.
Verdade: Todo o material que tem para ajudar um bebê num hospital também está presente no parto em casa. Só não será possível fazer assistência a longo prazo pela falta de equipamento adequado.

Mitos do Parto em Casa VII: Se a mulher "rasgar" ficará aberta para sempre, amém.
Verdade: O profissional tem todo o material para reparação de lacerações, do anestésico aos fios especiais de alta absorção.

Mitos do Parto em Casa VIII: Um parto de baixo risco vira de alto risco de uma hora para outra
Verdade: Menos de 1% das complicações acontecem de uma hora para outra. A maioria são longas evoluções de horas e horas, até se configurar uma mudança de faixa de risco.

Mitos do Parto em Casa IX: depois do parto fica a sujeira para a família limpar
Verdade: Faz parte do atendimento do parto a limpeza completa de todo o ambiente onde o bebê nascer, a retirada dos vestígios de sangue, e a arrumação.

Mitos do Parto em Casa X: O parto em casa está proibido ou os médicos estão proibidos de atender parto em casa.
Verdade: Nâo existe qualquer proibição. O Conselho de medicina de SP publicou uma matéria de jornal interno dizendo que não aconselha. Isso não é proibição. O conselho tem todas as ferramentas legais para proibir, mas não o fez.

Mitos do Parto em Casa XI: Há grande risco de contaminação, pois não é possível esterilizar a casa.
Verdade: primeiro que o hospital não é esterilizado, pelo contrário, está cheio de bactérias resistentes. Segundo, que o parto normal não ocorre em local estéril em qualquer lugar do planeta.

Mitos do Parto em Casa XII: O bebê tem que ficar em observação depois que nasce, por isso precisa de enfermeiros no hosiptal.
Verdade: O bebê fica em observação pela equipe após o nascimento e tal qual no hospital ficará em alojamento conjunto com a mãe, recebendo as visitas diárias até a "alta".

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Trailer Renascimento do Parto

Não tenho palavras para expressar o orgulho que estou sentindo dessa equipe maravilhosa que acompanhou minha gravidez e parto poe esse trabalho lindo que está no forno. Trata-se de um longa metragem sobre a forma de se nascer na civilização nos dias de hoje e promete ser lindo e emocionante como tudo que nos leva de volta às nossas origens.

Heloisa Lessa foi minha parteira, Fernanda Macedo é minha ginecologista e foi minha obstetra e o Ricardo Chaves é nosso pediatra. Os demais são igualmente pessoas extraordinárias que dedicam suas vidas a mudar a forma de se nascer no mundo em prol do amor.

Assistam o trailer abaixo e aguardem o filme em março de 2012.


sábado, 9 de julho de 2011

Documentário sobre parto humanizado

Eu apoiei o documentário HANAMI, o Florescer da Vida, que fala sobre o parto ativo, a maternidade consciente e o que isso significa na formação de seres humanos mais conscientes. Eu contribuí com uma pequena quantia para que o projeto alcance o mundo todo. Se até 19 de julho a meta do projeto for alcançada, eles vão conseguir distribuir mundialmente esse filme, feito no brasil e legendado em diversas línguas! Contribuindo para que mais mulheres e famílias tenham acesso a conhecimento sobre humanização do parto e assim possam escolher com firmeza e delicadeza como dar vida ao seu filho!

Sabe como fiz isso? Você já ouviu falar em crowdfunding? É uma ideia bem legal, onde um projeto bacana pode ser produzido através de micro-patrocínios. Ao invés de correr atrás de uma única pessoa ou de uma única grande empresa para apoiar seu projeto, eles colocam a ideia na REDE e quem gostar pode ajudar com quanto quiser/puder e como agradecimento escolhe um presente, de acordo com sua contribuição! O meu foi um link para assistir ao documentário, com direito a capa e tudo para reproduzir em casa. Tem sites bem legais disso, como o MULTIDÃO e o CATARSE, onde estão hospedados o crowdfunding do projeto! Foi por lá que eu ajudei.
  
Entre aqui no site, e assista o vídeo lindo que a Priscila Guedes (diretora do documentário) fez para diculgar o projeto e se desejar, ajude como puder: contribuindo ou divulgando. O link é esse:

 http://multidao.art.br/pt/projects/119-hanami-o-florescer-da-vida

terça-feira, 24 de maio de 2011

Porque nascemos assim?

Qual a razão de realidade em que vivemos no âmbito do parto e nascimento?
 
Realmente o que eu acho é que a maioria dos médicos realmente confia na educação e treinamento que receberam. Assim como nós confiamos no contexto cultural em que vivemos e nos médicos que nos atendem, que por sua vez, acabam recebendo as demandas que fazemos e aí vira segredo de tostines. "É fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?" Quem vai saber? Diante disso, o círculo vicioso que se forma se reforça tanto, que tomar a iniciativa de olhar pra outro lado se torna muito dificil. Às vezes esse momento de ter a oportunidade de escolher entre tomar a pílula azul e a vermelha não se apresenta! Nem todo mundo tem a sorte de Neo. Nem nós, nem os médicos. Tem gente que vive a vida toda inserido naquela cultura achando que a normalidade é aquela, aprendeu aquilo e acha que aquilo é a verdade absoluta. Tanto que pro Ric esse momento foi um divisor de águas, marcou-o intensamente e por isso ele desviou seu curso.
 
A gente está num estágio onde toda essa cultura, toda essa educação se tornaram muletas. Muletas desnecessárias, mas agora não sabemos mais andar sem elas! Precisamos fazer o caminho inverso. Eu tenho muito orgulho de nós aqui, sabia? Dessas mulheres e profissionais que nadaram contra a maré e fizeram esse caminho inverso contra todas as probabilidades e opiniões da massa. Tenho orgulho de mim por fazer parte desse grupo, de ter me permitido, de ter permanecido até agora. E tenho muito orgulho desses profissionais que morreram em suas práticas para renascerem, proscritos, renegados, em uma nova prática em prol do respeito e dignidade de outrém. Não e fácil para eles. Eles sofrem preconceito dos seus. São excluídos de círculos profissionais por isso. Praticam suas convicções muitas vezes nas sombras, recebendo ajuda de uns poucos que os "encobre", muitas vezes temendo serem descobertos pelas autoridades das instituições onde atuam e serem chamados atenção, como se aquela prática fosse errada, ilegal. Eles vêem as poucas instituições onde podem atuar perderem suas salas de "PPP" para máquinas mais lucrativas e tecnologias mais rentáveis. Eles têm suas carreiras ameaçadas a cada passo que dão, pois qualquer erro deles têm um peso vinte vezes maior do que um erro de um médico que dança conforme a música dessa cultura. É mais fácil sucumbir. Como nós, é mais fácil confiar, delegar a responsabilidade sobre nossos corpos, saúde e partos a um médico. Não temos nada cassado como eles, mas corremos o risco de termos nossa consciência para sempre maculada caso algo de ruim aconteça se formos subversivas e peitarmos a cultura vigente. É mais fácil usar o plano ou o SUS do que ter que pagar, aliás é JUSTO. Quero ter esse direito. Mas não é assim. Se quiser ir contra a maré, eu tenho que bancar. Tenho que absorver o gasto, tenho que adquirir o conhecimento para não ser enganada, tenho que ir contra quem "entende" do assunto e estudou para tal, quem sou eu?
 
Gente, é de pirar a cabeça.
 
Me consola saber que muitas de nós, fomentando essa discussão, agindo, as vezes apenas parindo mesmo, fazemos o papel daquele que oferece a pílula vermelha. Cabe a cada um tomar ou não e trilhar o seu caminho, como cada um aqui fez. E assim vamos "criando a demanda", como eu gosto de dizer. E fazendo o contrário do segredo de tostines, fazendo o caminho inverso.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Semana Mundial pelo Respeito ao Parto e Nascimento

A Semana Mundial pelo Respeito ao Parto e Nascimento ocorre este ano na semana de 15 a 22 de maio. Este movimento acontece em diversos países desde 2004 e começou por iniciativa da Alliance Francophone Pous L'Accouchement Respecté (AFAR). Saiba mais no site da SMAR.




quinta-feira, 7 de abril de 2011

O peso da responsabilidade

Nós que estamos imersas no mundo do parto humanizado ouvimos muito a frase de Michel Odent: "para mudar o mundo precisamos antes mudar a forma de nascer". Acredito muito nessa frase. Nascer com amor não gera apenas bebês saudáveis, gera mães felizes e confiantes, garante um vínculo mais intenso entre mãe e filho, e isso muda o mundo sim, pra melhor!

Há quem diga que as mulheres já são responsabilizadas de muita coisa. Carregar o peso nas costas de tudo isso e mais o de mudar o mundo atrávés de uma cultura de parto mais digna, já é demais.

Acho sim que temos muitas responsabilidades e somos responsabilizadas de mais um tanto. Mas essa questão de mudar o mundo é uma consequência do que já estamos fazendo, ou seja, eu estou fazendo isso quando difundo e defendo uma cultura mais digna de nascimento, quando escolho isso para mim. Quando faço isso, eu contribuo para essa mudança. Me sento bem, me dá vontade de espalhar mais ainda essa coisa boa. Um bem que gera um bem ainda maior. Mais mulheres deviam se empoderar dessa forma.

Eu também não sou obrigada a desligar a água quando me ensaboo, a fazer xixi no banho, reciclar, usar sacolas retornáveis, preferir usar meu copo ao descartável na empresa onde trabalho, mas essas atitudes contribuem sim para mudar o mundo. Mais uma vez reforço: não é uma obrigação. Mas é uma responsabilidade. Sim, minha e de qualquer cidadão. É um peso? Não pra mim, me sinto feliz de fazer isso tudo.

Difundir essa cultura de parto respeitosa não é uma obrigação. Mas é uma responsabilidade sim, não só de nós mães, mas também dos pais de apoiarem suas esposas, dos médicos de se atualizarem, do governo de incentivar e fazer campanhas, dos hospitais de abrirem suas portas para a possibilidade, dos convênios de criarem condições para que isso aconteça. Mas nada disso pode acontecer se não houver demanda. Quanto mais mulheres se informarem e exigirem um parto respeitoso, mais as demais partes de adequarão. Somos um agente importante nesse movimento uma vez que somos as protagonistas desse ato! Somos nós que parimos! Acho construtivo que tenhamos consciência disso.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Carta a meu pai: o porquê das minhas escolhas.

"Pai,

Desculpa o email tão longo! Mas fico feliz de ter finalmente terminado de escrevê-lo. Desde que conversamos no telefone sobre parto eu queria te mostrar um pouco mais sobre os porquês das minhas escolhas ou buscas, que podem parecer loucura, mas têm um significado muito importante pra mim. Não quero "convencer" você, mas quero que você participe dessa vivência, trazer você pra perto dessa história, mesmo não estando lá na hora e também que se sinta tão confiante quanto eu, a cada passo que dou. Às vezes pode parecer que eu quero ser diferente ou chocar, mas a verdade é que eu SOU uma pessoa diferente e o que eu quero não é chocar, eu só sou verdadeira comigo mesma e sigo meu coração. Eu sei que você não vai ler nem ver tudo isso agora nem de uma vez, mas queria pedir que você fosse lendo e vendo aos poucos e tentando compreender o porquê das minhas escolhas que segundo estudos, não é menos segura do que um parto normal hospitalar, é muito mais segura do que uma cesárea eletiva (sem indicação) e ainda aumenta as chances de uma experiência mais satisfatória e digna para a família, leia-se: oposto de traumático.

Com a inteligência que meus pais me deram, eu não posso fechar os olhos para algumas questões que engolimos confiando em nosso sistema de saúde, como se não fosse óbvio o absurdo. Nem minha cabeça, nem meu coração me perdoariam por permitir que eu, meu filho(a) e mesmo minha família passássemos por algumas vivências totalmente desnecessárias sabendo que (elas SIM) pudessem botar em risco um de nós. Riscos físicos com certeza, mas também psicológicos, que não são levados em conta, pois tem-se como normal uma série de coisas que NÃO SÃO. E se você se permitir olhar com meus olhos, você vai achar o mesmo. Um dia eu pensei igual a todo mundo em relação ao parto, quando não se conhece outra coisa, a gente continua achando que o que conhecemos é bom. Ainda mais numa sociedade cada vez mais globalizada e adepta da tecnologia. Só que alguma coisa me levou a conhecer um outro lado, que eu queria que você conhecesse pra entender.

Uma introdução:

Chen (2006) levanta dados curiosos sobre os partos no Brasil:

1) 79% dos partos realizados no setor privado são cesarianas. (Dados de 2004)
2) 27% dos partos realizados pelo SUS são cesarianas. (Dados de 2004)
3) A OMS recomenda que apenas 15% dos partos sejam cesáreos.
4) 77% das mulheres brasileiras entrevistadas preferem parto normal, segundo dados de entrevistas realizadas antes e depois do parto.
5) Um parto normal pode durar até 48 horas.
6) O custo do parto normal para médicos e hospitais é até 30% maior do que na cesariana, contabilizando o tempo de atenção dispensados pelas enfermeiras e equipe médica, o tempo de utilização de salas especiais para parto, etc..
7) O número de cesarianas no SUS foi reduzido no momento em que o Governo decidiu estabelecer uma cota mensal de remuneração para cesarianas. Isto é, acima de uma determinada porcentagem, a cesariana não é remunerada.
8) O número de cesarianas não diminuiu no setor privado, apesar da equiparação de remuneração dos médicos pelos dois tipos de procedimentos.
9) O Ministério da Saúde não tem o poder de interferir na saúde privada.
10) O órgão regulador que fiscaliza os planos de saúde e convênios é a ANS, que pouco pode fazer enquanto não houver denúncias.
11) Apesar da cesariana ter se tornado uma cirurgia mais segura, continua sendo uma cirurgia de amplo aspecto, com todos os riscos de uma cirurgia de amplo aspecto.
12) Os riscos de complicações posteriores a uma cesariana são 350% maiores para a mãe e, para o bebê, são 400% maiores no que se referem a problemas respiratórios.
13) Hospitais lucram na venda dos medicamentos e nas internações, especialmente internações em UTIs.
14) Hospitais e profissionais da área da saúde também têm metas de "produtividade". Internações e procedimentos desnecessários são utilizados para bater essas metas.
15) Médicos conseguem negociações mais vantajosas com os hospitais, pela quantidade de clientes internados e pela quantidade de horas utilizadas de centro cirúrgico.
16) Os hospitais cobram esta conta dos convênios. Os convênios cobram este custo desnecessário de todos os segurados.
17) O maior cliente do hospital não é o paciente, mas o médico.
18) Cesárea por conveniência médica é uma trangressão ética.
19) Em 60% dos casos de cesárea no Brasil, a razão médica apresentada não justificava o procedimento e era no mínimo duvidosa.

Abaixo, botei alguns links de vídeos. Alguns vídeos são BEM fortes. Alguns já me fizeram chorar, uns de horror, outros de alegria. Desculpe se forem impróprios, mas eu não sei de outra forma pra mostrar meu ponto de vista se não sendo realista.

Esse é o cuidado padrão com o recém nascido na maternidade quando ele nasce. Você deve ter acompanhado isso e sabe que é assim mesmo. Você, como a enorme maioria de nós, sabe que isso acontece e acha super normal. Eu não. Eu acho cruel. Penso que o bebê precisa ficar com a mãe assim que nasce, é o período de vínculo entre mãe e bebê, mas não só por isso. O bebê vem de um ambiente quentinho tranquilo lá no ventre da mãe e de repente o puxam desajeitadamente pra um lugar gelado, cheio de gente "sem rosto", com vozes estranhas, luzes fortes, muito barulho, quando ele precisa de colo, e a mãe precisa dele no peito, pois esse contato faz ela produzir ocitocina, que ajuda que ela expulse a placenta sozinha e tenha menos risco de infecção por danos na placenta advindos de tração pra retirada da mesma. O bebê precisa do calor do colo e da voz da mãe - e do pai - que ele já conhece, precisa ser acalmado, precisa conhecer o ambiente, o rosto por trás das vozes que conhece, o cheiro de sua mãe. Ao invés disso ele é arrancado de perto dos pais, pelado, pendurado pelos pés que nem um frango abatido, é analisado, furado, aspirado, medido, pesado sem nenhum pudor ou cuidado, uma coisa tão frágil e provavelmente assustada... A mãe fica lá, vazia, imobilizada. E o pai, ninguém nem pensa no pai uma hora dessa, que deveria participar ativamente. Então ele fica lá, assistindo a tudo meio perdido e assustado. O cuidado humanizado não é assim, não. O bebê não sai do colo da mãe pra ser examinado, o pai não precisa se sentir dividido entre amparar sua mulher ou acompanhar seu filho nos procedimentos e as coisas são feitas com calma e carinho, SE necessárias, na presença dos pais. Pra que você saiba (porque eu também não sabia), a injeção que eles dão no bebê (de vitamina K, pra evitar que ele tenha icterícia que é normal nos primeiros dias do bebê) pode ser dada por via oral em várias doses, depois do vínculo com a mãe estabelecido, depois do trauma do parto digerido e o nitrato de prata que aplicam nos olhinhos dele arde muito e serve como antibiótico caso a mãe tenha gonorréia (que eu não tenho). Eu não quero isso pro meu filho: El Nacimiento de Marcelo. O que mas me emociona é como o bebê fica tranquilo quando finalmente o levam pra perto da mãe. Se você acha que o bebê "esquece" por ser pequeno demais... eu tenho minhas dúvidas.

Algumas rotinas podem atrapalhar se não forem necessárias, algumas nem sempre fazem bem. Tracionar um bebê ou usar fórceps ou vácuo em um bebê que tem dificuldade de sair e começa a entrar em sofrimento, pode ser bom, mas fazer o mesmo a um bebê que vai sair sozinho, saudável e em seu tempo, pode causar sérios danos: Newborn Birth Injuries: The Untold Story.

A mulher, se deixada tranquila e segura ao invés de receber um monte de ameaças caso não se submeta a intervenções de rotina, a seu tempo consegue expulsar o bebê sozinha, naturalmente, restando à tecnologia monitorar o processo intermitentemente e se colocar num papel REALMENTE salvador CASO haja algum problema. Fazer a criança nascer mais rápido, não significa nascer melhor. Mesmo os médicos humanizados se dizem reféns dos hospitais onde trabalham quando se trata de intervenções de rotina, o que pode atrapalhar o processo do trabalho de parto em um nível emocional/psicológico. Mesmo eles encorajam a mãe à esperar até o último momento pra dar entrada em uma maternidade para que a ele caiba agir de pronto. As rotinas são pra quem tem indicação, ao invés, são feitas rotineiramente em todas as mães e bebês, sem distinção e por isso têm maior probabilidade de causar danos. Nem toda mulher precisa ter seu períneo cortado (na verdade quase nenhuma e quando precisa, na maioria das vezes, é por nervosismo e impaciência da mesma de expulsar o bebê), nem toda mulher precisa de ocitocina por não ter dilatação, o que aumenta consideravelmente a intensidade das contrações e a dor, ela pode só precisar de tempo e incentivo. Nem toda mulher precisa de uma cirurgia de médio porte pra retirar o bebê, isso é a maior causa dos números ainda altos de mortalidade materna no Brasil. Isso sem falar de procedimentos realizados nos hospitais que são degradantes e que estudos já afirmaram não ter embasamento técnico nenhum que beneficie o parto como a raspagem de pêlos para o parto normal (que pinica depois), a lavagem intestinal e enema, a manobra de Kristeller onde o médico empurra a barriga da mulher pra o bebê sair... E ainda tem a litotomia, a famosa posição em que os médicos nos colocam deitadas e com as pernas amarradas, contra a força da gravidade e em baixo do peso desconfortável da barriga, o que piora qualquer contração, para que ele possa "retirar o bebê" com mais conforto. Não é à toa que todo mundo tem terror do parto, homens e mulheres. No hospital têm-se como padrão instituído que a mulher não consegue expulsar o bebê sem uma série de "ajudas", o que vai de encontro às orientações da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde. E é essa violência aqui, eu não quero sofrer à toa e nem você deveria querer isso para sua filha, nem meu marido querer pra esposa dele: Callate y Puja.

Isso é um pouco mais parecido com o parto que eu desejo: Dia do Nascimento. Essa mulher se chama Naoli, ela é uma parteira mexicana. Eu nunca falei pro Derick nada disso que eu estou lhe escrevendo. Até porque, eu não precisei. Ele era contra, também desconhecia muita coisa, achava que uma ce´sarea era mais segura, mas confiou em mim e me acompanhou às reuniões. Leu. E acho que esse foi o vídeo que o fez concordar comigo que esse era o caminho.

Agora, eis algumas razões pelas quais eu estou buscando um caminho mais humano pra mim, pra minha família e pro meu filho. Pra começar, hoje eu recebi esse vídeo de uma estudiosa que eu já li uma tese de mestrado chamada "ciência do início da vida" e é isso que ela fala que eu estou buscando! Não é só pra ser diferente que estou escolhendo um caminho x, é uma coisa que fala muito profundo dentro de mim, uma busca por uma experiência que transcende o que se prega numa sociedade mecanizada e estéril por natureza. Espero que entenda: Maternidade Consciente por Eleanor Luzes

Esse aqui é o parto mais lindo que eu já vi: Naitre Enchanteé.

Certa vez te mandei uma Revista Online Sobre Parto. Ela falava sobre todos os tipos de parto e tirava algumas dúvidas sobre mitos e fatos. Acho legal as inforções dela, não sei se você chegou a ver.

Bem, espero que minhas escolhas pareçam menos loucas agora. Queria dizer que eu estou buscando não um parto natural a qualquer custo, mas uma equipe que seja capaz de me acompanhar com respeito e carinho, em quem eu confio para me dar forças e incentivos para vencer pensamentos e medos incutidos em mim por uma cultura insalubre de parto e realizar o que eu desejo, até onde puder ir. E também em quem eu vou confiar se em algum momento me disser que preciso de alguma intervenção ou transferência, pois sei que as razões serão verdadeiras, ao invés de pensar se o que me falam é uma desculpa para me inserir em um protocolo no qual não me encaixo por conveniência médica ou interesse financeiro, ou mesmo desconhecimento de novos estudos. E para isso, essa equipe precisa acreditar nas mesmas coisas que eu, ser a favor da vida e respeitar a fisiologia do nascimento, ser ativista mesmo. Eu quero me sentir tranquila, segura e bem cuidada, e acho que isso não é loucura.

Tem um médico obstetra francês que diz que "pra mudarmos o mundo, é preciso antes mudar a forma de nascer". E eu concordo. Se toda mulher e homem desejasse trazer um bebê ao mundo assim, o que não fariam na criação de seus filhos?

Te amo, e o seu apoio é muito importante pra mim.

Paulinha"




"AMADA filha,

Suas escolhas sempre me preocuparam, acho que a vida toda, mas nunca as achei malucas ou sem sentido. Te acho corajosa e determinada isso sim.  Se você puxar pela memória vai se lembrar que quando vocês eram pequenos, disse várias vezes para vocês “mesmo que vocês estiverem errados ou fizerem uma escolha que eu não concorde (ou conheça, como neste caso) eu vou estar sempre do lado de vocês”.
Fico imensamente grato pelas informações que você me passa, não pela informação em si, mas pelo cuidado em me orientar.
Te amo filha e escrevo isso MUITO emocionado.  Não poderia esperar nada mais gratificante do que a importância deste ato.
Gostaria muito, não só de fazer parte desta sua jornada, mas de estar do seu lado ou muito perto no Dia do Nascimento (Será que posso ?).  Sei que irei estar com o coração na mão, mas é que ele já estará prontinho para ser entregue a sua nova família.
Amo de verdade vocês 3.

P S : Vi o vídeo da ultra e ainda acho a cara do avô."

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Parto domiciliar

Quando você ouve falar em parto domiciliar, pensa numa casinha simples do interior com uma senhorinha agachada entre as pernas de uma mulher gritando "mais pano!" e "mais água quente!" e escutando o bebê com um objeto que parece um funilzinho? Bem, é uma realidade que ainda existe, e que eu acho bem bonita se compararmos com os partos violentos que acontecem todos os dias e que costumamos conceber como "normais". Mesmo os partos normais hoje em dia são tudo, menos normais. A mulher apavorada, muitas vezes desprovida da presença de seu acompanhante, morrendo de dor por medo e terror, médicos apressados e barulhentos, que não se preocupam com o lado emocional e psicológico de se dar à luz, instalando o horror de possibilidades remotas ameaçando a saúde da mulher e seu filho se ela não se submeter a procedimentos que ele alega serem essenciais e muitas vezes não são como cortes do períneo, infusões venosas, hormônios para acelerar o parto, procedimentos que tiram sua dignidade como lavagem intestinal, raspagem de pelos que incomodam muito depois, sem falar no jejum, nas luzes fortes, na posição horizontal sem ajuda da gravidade, de pernas amarradas nos estribos, de ter seu filho retirado de você e levado para sofrer outros tantos procedimentos antes mesmo de sentir direito o cheiro do seio da mãe, nos tornamos hospedeiras que cumpriram sua função, de onde o bebê deve ser removido e achamos isso "normal". Normal é estar tranquila, segura, poder andar, se alimentar, ficar na posição que achar mais confortável, dar tempo ao tempo para seu corpo trabalhar, e expulsar seu filho naturalmente para o mundo, com a força que seu corpo lhe obriga a fazer sozinho sem que ninguém precise gritar "faz força de cocô!" ou qualquer coisa semelhante, segurar seu filho nos braços depois de 9 meses de espera e amamentá-lo enquanto aguarda pacientemente sua placenta se apresentar inteira e íntegra anunciando que a nova fase da sua vida começou. Depois dessa, a imagem de uma mulher deitada em sua cama e uma senhorinha com o funilzinho, panos e água quente lhe ajudando não parece tão assustadora, não é? Pois pra mim parece ideal. Só que hoje em dia não é preciso parir no interior pra "voltar às origens", as parteiras urbanas crescem em número. Hoje elas são em sua maioria enfermeiras obstétricas, que unem seu estudo e técnicas à experiência passada de mãe pra filha há inúmeras gerações no interior pela tradição das parteiras e assim, ajudam muitas mães a terem um parto digno, em seus domicílios com toda segurança e tranquilidade, longe dos fantasmas intervencionistas. Mas não é tão fácil. O número de parteiras ainda é pequeno se comparado ao número de obstetras cesaristas mecanizados ou que se dizem vaginalistas, mas não concebem se desvencilhar de tantos procedimentos, posturas desumanas e condutas que cirurgicalizam  até mesmo o parto chamado normal. Em alguns municípios, elas nem existem. Em geral, parir em casa requer que a gravidez seja de baixo risco (bebê bem posicionado, mãe e bebê saudáveis) e conta com alguns equipamentos por segurança, mas que muito provavelmente não serão utilizados, salvo em necessidade real. Planos alternativos para o caso de intercorrências também são traçados previamente, um médico fica de sobreaviso, escolhe-se um hospital/maternidade para onde correr se necessário. E com tudo isso, as possibilidades de que tudo corra bem, aumentam, pois a mãe conta com uma equipe humana, que vai estar atenta às suas necessidades e tranquilizando-a. A doula desempenha um papel fundamental, ela é o "anjinho" que vai sussurrar no ouvido da mãe nos momentos em que a tensão dessa cultura de parto em que fomos criadas interfere. É ela que vai fazer massagens, colocar você na água morninha, sugerir posições confortáveis e estar presente o tempo todo te dando forças. É um personagem lindo e essencial no cenário do parto.

Estou muito feliz pois fiz contato com a Equipe Parto Ecológico e vou me encontrar com minha possível parteira em breve, a Heloísa Lessa!!! Nosso encontro era hoje, mas ela havia me avisado que tinha uma mãe quase parindo e o trabalho de parto realmente começou, tivemos que adiar. Mas foi por uma ótima causa, que corra tudo bem no parto dessa mamãe e bebê. Adicionei o link do site da equipe no blog, pois amei saber que esse tipo de equipe existe: http://equipepartoecologico.blogspot.com/ Espero muitos frutos desse contato! Quero parir em casa, tranquilamente, no meu ambiente, sem pressa, sem medo e receber meu bebê numa sala escurinha, com musiquinha boa, pessoas queridas por perto...


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O nascimento da neta de Ana Maria Braga

Gente, só pra compartilhar, pois eu acho que quando uma pessoa com certa influência, conta na mídia sua experiência com parto natural, é um ponto pra gente! E o coro vai engrossando. A luta pelo direito de nascer com dignidade é uma luta que só serpa vencida no dia que mais e mais mães não se confromarem com a cultura do nascimento do Brasil e demandarem um parto humanizado, forçando os médicos a procurarem o que é isso, e seus benefícios, verem que se nao se adequarem, terão cada vez menos pacientes. Leia um breve relato sobre o Parto de Joana, filha de Mariana e neta de Ana Maria Braga, nascida em casa, que foi recentemente publidado no site da Ana Maria Braga, no portal da Globo. Parabéns, Mariana e Joana!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Profissionais do Parto Humanizado

Essas informações foram e têm sido muito úteis, uma vez que são poucos os profissionais humanizados no Rio de Janeiro. Essas informações foram tiradas do blog Profissionais do Parto Humanizado no Brasil:

Priscila - Enfermeira Obstétrica,  
Tels: (21) 2481-2436 ou (21) 9817-9728
Email:
enf_prismac@yahoo.com.br


Raquelli Iozzi - Enfermeira Obstétrica
Email: raquelli.iozzi@yahoo.com.br
Tels: (21) 2451-1655 ou (21) 9745-4345


Email: anadoula@gmail.com
Tels: (21) 3852-6753 ou (21) 8859-1432


Marilanda Lima - Enfermeira Obstétrica
Tel: (21) 8161-4125
Email: marilandalima@oi.com.br


Heloisa Lessa - Enfermeira Obstétrica  
Tels: (21) 2232-2445 e (21) 8863-2815
Email: heloisa.lessa@terra.com.br
Obs.: Pré-natal e parto domiciliar


Tel.: (21) 2552-3761 e (21) 9248-7212
Email: claudia.orthof@rehuna.org.br ou claudiaopl@imagelink.com.b
Obs: exclusivamente partos domiciliares, pré-natal fisiológico e assistência pós-parto, especializada em amamentação


Rodrigo Vianna - Obstetra
End.: Rua da Conceição 188/ sala 804 Niterói Shopping - Centro - Niterói
Tel: (21) 2717-6582
Cel: (21) 8112-6799
Obs: Calmo, flexível, paciente, e pode atender partos domiciliares. Também atende em hospital público e tem um grupo de gestantes em Benfica-RJ

End.: Rua Gildásio Amado 55/408, Ed. Centro da Barra - Barra da Tijuca
Tel: (21) 2491-2742
Cel: (21) 9986-0509


Calil Salim Obstetra
End: Av. N. Sra.Copacabana 613/408 - copacabana
Tel: (21) 2286-2134
Cel: (21) 9367-3066
Obs: Foi assistente do Dr. Fernando Estellita Lins


Maria Helena Bastos - Obstetra  
End: Av. das Américas, 1155/402 - Barra da Tijuca
Tel: (21) 2491-2785 / 2439-9257
Cel: (21) 9963-1610
email: melbee@uol.com.br


Marcos Dias - Obstetra
End: Rua Farme de Amoedo, 75/cob 01 - Ipanema
Tel: (21) 2522-0396 / 2522-0384 / 2287-5666
Obs: É médico particular mas atende pelo plano Bradesco Rede Globo.


Lílian May - Obstetra
End: Rua Santa Clara, 70/705 - Copacabana
Tel: (21) 2549-8986
Email: lmsd@domain.com.br


Francisco Vilella - Obstetra
Barra da Tijuca (Cittá América) - Tels: (21) 3803-7843 e 3803-8140
Humaitá - Tels: (21) 2539-1266 e 2286-0380
Email: franciscovillela@gmail.com
Obs: Homepatia. Atende parto domiciliar e na água.


End: Av. Princesa Isabel, 150/ 604 - Leme
Tel: (21)3820-9991 / 2541-0890
Obs: partos naturais e domiciliares


Ingrid Lotfi - Doula e educadora perinatal
Tel: (21) 2453-4368
Cel: (21) 9321-2989
Email: ingrid.lotfi@rehuna.org.br
PS: Serviço inclui atendimento durante a gravidez, parto e pós-parto.
Auxília também com amamentação e cuidados com o bebê.


FadynhaDoula
Tel.: (21) 2205-1570
Site:
www.institutoaurora.com.br